Resenha: Uma vez você, uma vez eu

Título: Uma vez você, uma vez eu
Autor: Diego Martello
Gênero: Ficção
Literatura: Brasileira
Ano: 2015
Páginas: 181
Editora: Talentos da Literatura Brasileira / Novo Século
ISBN: 978.854.280.629-8
Avaliação CL: ⭐️⭐️⭐️

O livro de Diego Martello é aquele tipo de livro que você já se apaixona pela edição, capa e mimos. Mas digamos que dessa vez, minhas expectativas não foram alcançadas. Após ler a sinopse, resenhas e tudo mais, esperava mais… Mas vamos ao que interessa, a história do livro!

William, o protagonista, é um jovem, casado com Eva e filho de Marcos, órfão de mãe, a quem ele era muito apegado.

A trama toda do livro gira em torno de William, que não consegue ter um filho com Eva, e da sua má convivência com o pai.

Anos antes de abrir sua própria empresa de consultoria, William trabalhava na empresa do pai, a D&D. Mas por insatisfação pessoal e imaturidade, o rapaz não conseguira lidar com a pressão que era estar no comando, fazendo o deixar a empresa e também a boa relação com o pai.

William é aquele tipo de personagem que viaja em seus pensamentos, e que por vezes se perde, fugindo do contexto principal, deixando o leitor também perdido, o que foi meu caso. Ele até tem boas reflexões, porém, ao longo do texto, achei-as excessivas. Um terço do livro é somente perspectivas de sua mente, sem fala alguma, – o que não seria problema se a narrativa fluísse.

Em contrapartida, o livro trás a tona um assunto muito contemporâneo e de fato reflexivo, que é o fato até onde somos capazes de ir ou não, com o rancor em nossos corações.

*

Ao ser informado por sua esposa Eva, de que seu pai sofrera um acidente de moto, e que fraturara a perna, William fica preocupado. Reluta consigo mesmo se deve ou não aparecer para lhe fazer uma visita. À forças, ele decide ir até a casa de Marcos.

Chegando lá, vê que o pai está bem, apesar de estar em uma cadeira de rodas. Mesmo com respostas monossilábicas, Marcos insiste em um diálogo com o filho. E até pede que ele o realize um favor…

A D&D estava tentando encontrar um novo funcionário para ocupar o lugar de William, e para motivar a equipe, Marcos planeja uma atividade um pouco diferente. Todos os funcionários iriam até a casa de campo deles, bem próxima a casa que morava, para então interagirem. E fora justamente montando esta atividade, que Marcos se acidentara.

Pede para o filho levar e depositar um envelope que faltara para a atividade ficar pronta, na casa de campo. Relutante, William vai.

“O novo sempre traz a solução, mas nos possibilita novas experiências, novos erros e um novo aprendizado, que, por sua vez, sempre nos traz mais do novo, mais conhecimento e mais chances de chegarmos ao objetivo.”

Chegando na casa de campo, William encontra várias “etapas” da tal atividade, e em uma delas, onde há alguns papelzinhos pendurados no teto, o chama atenção. Vê inúmeras palavras que remetem ao tempo em que ele trabalhava na D&D.

O protagonista é muito curioso, e antes de executar a tarefa que lhe fora ordenada, William abre os papéis, e mais, os envelopes de cada cômodo do local, no qual seu pai dava instruções para as atividades. Estes também o chamam a atenção… Parece que seu pai venderia a empresa, e isso faz com que ele se sinta traído. Mesmo tendo saído da companhia de seu pai por livre espontânea vontade, William é imaturo, tem somente o desejo de recuperar o que é seu por direito, pois não quer ser substituído.

Então decide abrir o envelope que Marcos lhe dera para colocar em uma das etapas da atividade. Na carta ele escreve para o próprio filho, sabendo que ele é curioso a ponto de abri-la.

Na carta dizia que no ano retrasado o pai fora diagnosticado com câncer, e que apesar dos tratamentos, a doença somente evoluía. E também dizia que Marcos não sabia como contar isso ao filho, já que ambos não se falavam mais, nem se quer nas reuniões em família.

Nesse momento William se sente sem chão, sua mente está confusa e sua visão embaçada. Ele ouve a voz da mãe… Claramente ela estava chamando por ele.

“Se suas ações são boas, mas o sentimento for bom, o universo investigará o que realmente está acontecendo e irá lhe trazer aprendizado ao invés de punições e, se você agir puramente bem e desejando o bem, seu caminho ficará mais fácil. Então, por que o medo de errar quando sabe o que deseja?”

No primeiro momento William se assusta, mas está feliz que ela tenha vindo lhe visitar e finalmente falado com ele. Os dois dialogam por um tempo, e a mãe do rapaz o remete em algumas lembranças de quando ainda estava viva. E logo depois de mais reflexões, o jovem parece acordar de seu lapso, e decide ir ao encontro do pai o mais rápido que pode.

Ao sair da casa de campo, avista uma luz que parece ser de ambulância, bem nas redondezas da casa da família, associa tudo, e pega uma moto até então jogada no chão, – talvez a mesma que seu pai se acidentara, e em alta velocidade parte para a casa. Chegando, vê primeiramente Vilma, a mulher que cuida dos afazeres domésticos. Ela lhe diz que o pai sofrera um desmaio em razão de pressão baixa. Ela já havia chamado o médico particular, Richard, que já estava em trabalho.

William consegue falar com o pai, mas minutos depois ele sofre uma parada, ali mesmo na maca, prestes a sair para o hospital. O corpo inerte, sem vida, faz com que o doutor derrame uma lágrima.

William percebe que perdera seu pai, já tenho uma vez perdido a mãe. William chora.

*

O protagonista acorda. Se vê na casa do pai, que está em sua frente. Tudo não passara de um sonho?! Sim…

Ele pede para ir para casa, está muito confuso com tudo que acontecera, – em sonho ou na vida real. Ele nada compreende.

– A seguir contém spoiler.

Tudo que William vivera nos últimos dias, não passara de um livro lido. Isso mesmo! Eva escrevera essa história para o marido. Sua mãe permanecia viva, seu pai não estava com câncer, e ele e a esposa tinham um lindo filho.

Com a história de William, podemos refletir e lembrar, que é sempre necessário uma lavagem na alma para conseguir seguir em frente, sem mágoas do passado, e que não importam as circunstâncias, é fundamental demonstrarmos amor e afeto a quem temos próximo, não sabemos o dia de amanhã, talvez ele se quer exista.

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