Resenha: Um Conto de Natal

Título: Um Conto de Natal
Original: A Christmas Carol
Autor: Charles Dickens
Gênero: Conto
Literatura: Inglesa
Ano: 2003
Páginas: 146
Editora: L&PM Pocket
ISBN: 978.852.541.243-0
Avaliação CL: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

Originalmente publicado em capítulos para um jornal, entre outubro e novembro de 1843, “Um conto de Natal” ou “Uma história de Natal” e entre outros nomes adaptados para o português, é uma das mais conhecidas histórias de Charles Dickens.

Um clássico com críticas ora sutis ora gritantes. Mas por quê será que é um livro tão lido e comentado? A seguir você saberá a resposta.

Não há nada que seja mais duro do que a pobreza, e, no entanto, não há nada que ele condene mais prontamente do que a busca da riqueza!

O livro nos trás a história de Scrooge, um velho ranzinza, sem amigos, mal humorado, porém, riquíssimo de Londres. Não tem um só sentimento pela vida e amor ao próximo, o que lhe somente importa, são os lucros de sua empresa.

Sua empresa tinha por nome Scrooge & Marley. Seu próprio nome, e do falecido sócio. Apesar de o ex companheiro de negócios não estar mais junto a ele, Scrooge decide manter o nome original na companhia.

O texto é bem curto, e de uma leveza tremenda. Narrado por um narrador carismático e que a todo tempo está a alertar:

Deixe-me, portanto, repetir com toda ênfase: Marley estava tão morto quanto uma pedra.

As pessoas viam Srooge atravessar a rua, e já saiam de seu caminho… Nunca ninguém ousou se quer lhe cumprimentar, de tão asqueroso que era. Não fazia distinção de pessoas, não lhe agradavam familiares, moças, empregados e muito menos crianças. E por esse motivo, por muitos anos Scrooge estava fadado a viver sozinho em sua enorme casa.

Até que em um dia aleatório de inverno, próximo ao natal, Scrooge recebe a visita do fantasma Marley, e ele lhe alerta o quão ruim é a morte quando se não é uma boa pessoa em vida. Marley era como uma fumaça, mas estava cheio de correntes e cadeados pesados ao seu redor, a arrastar pela eternidade.

Esta visita do antigo sócio, mudaria a vida do velho Scrooge. Marley viera lhe avisar que o amigo receberia a vida de mais três fantasmas, e que essa poderia ser a chance dele mudar e melhorar, ou morrer e sofrer para sempre.

Scrooge é incrédulo, apesar de ver e ouvir Marley, duvida que mais espíritos possam aparecer.

E então Scrooge recebe a visita do primeiro do três espíritos. Este era o espírito dos natais passados… Caminham para o passado para que ele se lembre de sua infância e adolescência na cidade pequena onde morava. O espírito da vida há alguns acontecimentos, e que aparentemente tocam como uma ampulheta no peito do velho. Mas ele ainda não acredita no mal que fizera a tantas pessoas.

E em outro dia, no horário marcado, eis que o protagonista recebe a visita do segundo do três espíritos. Este era o espírito do natal presente, que mostrara a Scrooge como a vizinhança, familiares e o funcionário dele se comportavam nesta época. Brindavam ao rico homem soberbo, mas também o desejavam que partisse logo. Scrooge gela, parece realmente acreditar que precisa de um milagre!

E aparece o terceiro dos três espíritos, o espírito dos natais futuros. O espírito mostra várias pessoas comemorando e dividindo os bens, de um recém gélido corpo em sua própria cama. Ele acabara de falecer.

– A seguir contém spoiler.

Scrooge se reconhecia sobre leito daquela cama. Era ele. Havia morrido, sozinho, com burburinhos em agradecimento a Deus por tê-los livrado de um homem tão mesquinho.

O homem suplica para que o espírito não deixe que esse seja seu fim, e ele responde apenas dizendo que não pode mudar o futuro, mas que Scrooge sim, seria capaz de mudar suas atitudes e seu próprio desfecho na vida.

Oh, Morte fria, rígida e terrível, faz aqui o teu altar, enfeitado com todos os terrores que estão sob o teu comando, pois este é o teu domínio! Quando um morto é amado, reverenciado e honrado, tu não consegues tocar em um único fio de cabelo dele para alcançar teus perversos objetivos, nem tornar odiosas as feições de alguémQuando tu chegas, não importa que o pulso e o coração não batam, nem que a mão esteja pesada e imóvel, mas que tenha sido aberta, generosa e sincera, que o coração tenha sido corajoso, sincero e afetuoso, e que o pulso tenha sido o de um homem. Podes golpear, Sombra, golpeia à vontade! E das feridas que fizeres verás jorrar apenas as boas ações que semeiam no mundo a vida imortal!

*

De repente, o protagonista reaparece assustado em seu quarto, como quem acordara de um mau sonho, e com muito medo. Olha no relógio, pensado já que as festas de fim de ano já teriam acabado a essa altura, mas não, era o dia de natal. Tudo acontecera exatamente em uma noite, mas para Scrooge parecera ter sido em dias.

Então ele decide que seu novo “eu” deixaria a avareza e superioridade. Decide sair de casa e cumprimentar a todos com o saudoso “Feliz Natal”. As pessoas ao redor não parecem acreditar, pois aquele era um homem que não pisava fora de sua casa em época como esta.

Muita gente riu da sua mudança, mas ele deixou que rissem, pois tornara-se sábio o bastante para entender que nunca algo de bom acontece neste mundo sem que alguém encontre nisso motivo de riso e zombaria. Como sabia que essas pessoas permaneceriam cegas para a bondade, preferiu vê-las enrugar os olhos em um sorriso de gozação do que vê-las demonstrarem sua enfermidade de uma maneira menos atraente. Seu coração transbordava de felicidade, e isso era o bastante.

A partir desse dia, Scrooge renascera para o mundo, mas principalmente para si mesmo.

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