Resenha: Os Sofrimentos do Jovem Werther

Título: Os Sofrimentos do Jovem Werther
Original: Die Leiden des jungen Werthers
Autor: Johann Wolfgang von Goethe
Gênero: Romance / Epístola / Clássico
Literatura: Alemã
Ano: 2014
Páginas: 192
Editora: Nova Fronteira / Saraiva de Bolso
ISBN: 978.852.093.702-0
Avaliação CL: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

Goethe, muito conhecido por sua obra “Fausto”, foi um dos maiores autores da Literatura Alemã e mundial. Em “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de 1774, há alguns indícios biográficos e históricos da época em que ele viveu, mas tudo com um pouco mais de ênfase, para não dizer exagero, e com muita poesia.

O Romantismo assíduo do XIX, oprimia a emoção, e ressaltava a razão. Em contrapartida, os autores exaltavam o sofrimento e maldizeres do amor ao máximo, e Goethe, em sua obra deu voz aos sentimentos de uma nação, – que posteriormente à sua publicação influenciou e ocasionou inúmeros suicídios.

Um livro extremamente delicado, irônico e claro, com muito amor envolvido. É impossível não detectar as críticas que o autor fez ao movimento, – fora até hostilizado na época, e um outro autor até chegou a publicar em resposta aos sofrimentos, um intitulado “As Alegrias do Jovem Werther”, como tentativa de persuadir as pessoas já cativadas pelo personagem sofredor.

“Mais de uma vez me embriaguei, e as minhas paixões não distaram muito da loucura, e de ambas essas coisas não me quero arrepender. Aprendi por mim próprio como todos os homens transordinários, os que realizam algo sublime, ou que parecia impossível, foram taxados de loucos ou de vinolentos.”

Wether, após sair de casa, passa a escrever sua história por meio de epístolas (cartas), endereçadas à Guilherme, um amigo.

Após conhecer Carlota e seu marido Alberto, o rapaz torna-se amigo íntimo do casal e começa a frequentar a casa deles frequentemente.

Ele desenvolve um amor incondicional por Carlota, amor esse que é platônico, – apesar da moça aparentar saber de seus sentimentos.

O jovem é muito respeitoso, em nenhum momento investe nela, entretanto, adora passar as tardes em sua companhia, sem o marido por perto, – este que também parece saber da paixão do amigo, mas prefere ignorar e se afastar quando Werther e a mulher estão juntos. Quem em sã consciência faria isso? Vai entender!

Mas o fato é que Werther é apaixonante. Seus pensamentos, modo de se portar e falar são pontos fortes, mas não suficientes para conquistar o amor de sua vida.

“Oh! Como me corre fogo e lava pelas veias, quando descuidadamente os nossos dedos se tocam, ou, sob a mesa, os nossos pés se encontram! Recuo, de golpe, como se houvesse tocado um ferroem brasa, mas uma força oculta me faz avançar novamente – e os meus sentidos deliram.”

Ele sofre calado, não se declara uma só vez, a não ser em suas indiretas e metáforas, que Carlota se recusa a entender. (Às vezes dá muita raiva dela, custa dizer sim ou não para o infeliz?!). Ela prefere alimentá-lo, ama a companhia do rapaz que lhe recita poesias e conta histórias para ela e os irmãos.

É angustiante e de dar brilho nos olhos de ler os dias do protagonista. O sofrimento é nítido, faz dele um iludido e pobre apaixonado. Tudo para ele era motivo de extrema alegria, como por exemplo quando sua amada lhe dirige a palavra como “Querido Wether”, ou de tristeza súbita, quando Carlota deixa de convidá-lo para um chá.

*

A dor é incessante, Werther decide então se afastar de Carlota, admitindo não suportar esse amor impossível. Aceita uma nova posição e emprego, muda-se de cidade, e até conhece uma mulher… Mas não por muito tempo, a saudade é maior que a dor que ele não suportara anteriormente, decide voltar.

Atreve-se a ser mais ousado, mas ainda sim, Carlota não dá atenção à suas intenções.

“Guilherme, não me lamento, mas isso é assim mesmo: as flores da vida não passam de ilusões. Muitas fenecem sem deixar vestígios; poucas dão frutos; e destes, raros chegam a amadurecer! Todavia algumas ainda restam, mas meu irmão, devemos deixar apodrecer, desprezados e desaproveitados os frutos maduros?”

A seguir contém spoiler.

Ele se despede de todos, que não percebem que esta seria a última vez que o veriam, exceto pela própria Carlota, que teme o pior, pois após uma dura conversa que tivera com o rapaz, ele acabara aos prantos e a seus pés.

Wether submete a arma de Alberto emprestada, o marido pede que Carlota a envie via seu criado. Ela consente e sabe o que o “amigo” está prestes a fazer, mas mesmo assim, não o impede.

Os sofrimentos do protagonista somente findam quando ele mesmo tira sua vida, sim, ele se mata.

“Meu caro amigo, cada vez mais me convenço de que a existência humana é quase nada.”

Forte e sutil, encantador e aterrorizante, a obra de Goethe consegue ser um paradoxo imenso, uma leitura de dar ressaca, das boas!

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