Resenha: O Sol é Para Todos

Título: O Sol é Para Todos
Original: To Kill a Monckingbird
Autor: Harper Lee
Gênero: Romance
Literatura: Americana
Ano: 2015
Páginas: 349
Editora: José Olympio / Grupo Editora Record
ISBN: 978.85.03.00949-2
Avaliação CL: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️+❤️

Um clássico da Literatura Americana, que há tempos queria ler, e que sim, é tudo isso que falam, e um pouco mais. Mereceu minhas cinco estrelinhas e ainda entrou para minha lista de livros favoritos. Tanta sutileza e delicadeza através dos olhos de uma criança, que irão te encantar também. Duvida? Acompanhe a resenha.

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Resenha: O livro é sutilmente narrado por Scout Finch, uma criança muito inteligente e sensível, que vive com o irmão mais velho Jem, e o pai Atticus, advogado. Calpúrnia é a criada, mas desde sempre nunca fora tratada como tal, ajudou a criar e educar os meninos. Os irmãos perderam a mãe ainda quando muito bebês, Jem até que se lembrava de sua feição, já a garota, não.

A família vive em uma pequena cidade do Alabama, Maycomb (cidade fictícia), por volta do anos 1930, onde todos se conhecem e sabem da vida um do outro.

Os Finch, tem como melhor amigo Dill, sobrinho da sra. Rachel, uma vizinha. Ele passa as férias de verão em Maycomb. Já era de lei os dois esperarem pelo companheiro em meados de dezembro, para aprontarem poucas e boas juntos.

As crianças têm uma fissura pelo vizinho da frente, que nunca saiu de casa, pelo menos não que eles tenham o visto. E acreditam que há uma maldição lá, acham que o sr. Raddley, é um ser sombrio e misterioso, e o apelidam de “Boo”, sr. Boo Raddley.

Scout não é nada típica, odeia vestidos e chás, prefere lama e bola. Por isso, a cidade a julga como “filha mal criada de Atticus”. Ela faz jus ao apelido, não levando desaforo para casa e enfrentando qualquer um que a contrarie.

A primeira parte do livro relata como eram suas brincadeiras, travessuras, tudo contado pelo ponto de vista da garota, uma criança, o que faz com que o leitor fique vidrado acompanhando, por que embora a trupe não seja nada santa, tudo para eles é natural e sem malícia alguma.

Atticus é um homem exemplar, tanto em casa quanto com a vizinhança, e, tribunal. Sempre lendo e trabalhando muito, mas nunca esquecendo seu maior bem: os filhos.

O romance destaca o preconceito e diferenças sociais enfrentadas pelos negros, que na época, servem apenas para o trabalho pesado e/ou do lar, e moram em casas, barracos próximo ao rio, bem distante do centro onde há muita circulação de pessoas. Além da classificação de preto/negro e branco, os sobrenomes e berço são fundamentais para o convívio no condado, como por exemplo, os Cunningham, que são considerados como “gente que nunca recebe por aquilo que pode pagar”, não possuem nenhum centavo, e vivem a base de trocas. Ou os Ewell, que mesmo sendo de pele branca, são considerados um “nada” que vivem e sobrevivem em um lixão, através de caridades.

Ao longo da narrativa, Scout descreve o mais novo caso que o pai tende a defender, o caso “Tomas Robinson”. Acusado de estuprar Mayella Ewell, filha de um sr. não muito confiável.

O povoado de toda a cidade vive de burburinhos, dizendo que Atticus “defende um preto” e outros comentários, que só enfatizam que por Tom ser de pele negra, deve ser condenado, pois a população já o pré-julga como culpado. Isso machuca e muda a vida que Jem e Scout levam, tendo que lidar diariamente com comentários maldosos. O pai sempre tenta os confortar, dizendo que “ainda não é hora para se preocupar”.

Aos poucos eles compreendem o que o pai está fazendo, o que nenhum outro naquela cidade faria: defender alguém diferente de sua casta.

Devido aos inúmeros falatórios e fofocas que os Finch têm que aturar, Alexandra Finch, irmã de Atticus, decide sair de Finch’s Landing e ir morar com o irmão para ajudar a reeducar os sobrinhos, que para ela, desonram o nome da família. Seu maior objetivo é tornar Jean Louise Finch, a pequena Scout, em uma verdadeira dama. Fato este que é mais difícil do que ler no escuro, pois a garota tem um gênio forte e possui personalidade própria.

Com um texto que fixa o leitor do começo ao fim, O Sol é Para Todos é um romance atemporal, que retrata e denuncia o preconceito racial que presenciamos até atualmente, mesmo tendo sido escrito há quase 50 anos atrás.

Através do olhos de uma criança, que é educada em uma escola em que “Hitler é um ditador que extermina os judeus” e que deve-se odia-lo, e que ironicamente um “preto não é nada, não precisamos nota-lo”, Scout se confunde com os conceitos que alguns dos membros da cidade possuem e pregam uns para os outros. Para ela, só existia uma certeza em sua mente: “só existe um tipo de gente: gente”.

Uma obra perfeita e sensível, ganhadora do prêmio Pulitzer em 1961, com traços do passado que caminham até hoje… Até quando teremos a classificação do homem como bom ou mal pela cor?! Scout não sabia, e provavelmente também não saberei. Está é uma questão que, infelizmente, perdura há séculos.

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