Resenha: O Bisturi de Ouro

Título: O Bisturi de Ouro
Autor: Chaiene Santos
Gênero: Ficção
Literatura: Brasileira
Ano: 2013
Páginas: 206
Editora: Novo Século/ Novos Talentos da Literatura Brasileira
ISBN: 978.854.280.056-2
Avaliação CL: ⭐️⭐️

O livro de “O Bisturi de Ouro” conta a história de Eduardo, um jovem de família humilde e sem muitos recursos. Seu sonho é cursar faculdade de medicina, e um dia tornar-se médico. Porém, seu pai, senhor Roberto, não o apoiava nessa escolha, acredita que pobre não pode cursar essas coisas, devido a não conseguir se manter comprando os diversos materiais que seriam necessários. Sua mãe, dona Catarina, diferentemente, guardava suas poucas economia de trabalho como costureira, para ajudar no futuro do filho.

Narrado em terceira pessoa, o narrador é da que tipo “intruso”, sabe de tudo e descreve as cenas antes mesmo delas acontecerem. E Eduardo é um típico “sabichão idealista”, pois na escola sempre é o melhor em notas, sabe todas as matérias e estuda muito. Como pessoa também, o livro não o descreve em nenhum mal feito, defeito ou algo que o deixe como não bom moço. Isso também me incomodou, pois a leitura arrasta-se até os capítulos do meio, com alguns textos desconexos e Eduardo sempre sendo o “homem perfeito”, fato que é impossível, mesmo em um livro.

A trama gira em torno dos sacrifícios do garoto, e da vida em que ele e família vivem, com muito pouco. Ainda quando criança, ele conhece Helena, o futuro amor de sua vida, – embora o destino ainda o guardasse muitas mulheres. Glauco, também era seu amigo desde a infância, mas sempre com indícios de inveja para com Eduardo.

Helena se muda para São Paulo, pois o pai arranjara um emprego na cidade grande, Eduardo permanece na cidade natal de ambos, Monte Belo, Rio de Janeiro. E desde criança os dois já eram apaixonados, mas a mudança de planos poderia afetar esse grande sentimento.

“Mas o destino escreve certo por linhas tortas, e o futuro a Deus pertence”

Glauco torna-se cada vez mais ambicioso com relação ao “amigo”, invejando todas as suas conquistas: trabalho, mulher e até mesmo sua família. Elabora um plano maquiavélico, para roubar uma caixinha que a inocente Catarina guardava seus míseros trocados, para a faculdade de Eduardo. Mesmo vindo de família de classe média-alto, o jovem é educado na rédia curta com seu pai, que não vê futuro no garoto desinteressado para coisas de trabalho.

Como Glauco frequentava a casa de Eduardo, ficou muito fácil planejar tudo. Mas na noite em que fora à casa do “amigo”, Catarina aparece, – era para estar na igreja, mas volta em casa para buscar uma encomenda que esquecera, e Glauco se vê obrigado a matá-la.

Com a mesma caixa que a senhora guardava suas economia, é atingida no cabeça. Logo cai, deixando uma poça de sangue ao seu redor. Glauco foge pelos fundos, tomando cuidado para não deixar rastros, porém ele errara nesse ponto.

Desolados pela perda da mãe, seu Roberto se vê obrigada a pedir à Eduardo que deixe de lado a bobeira de prestar vestibular para medicina, seria uma perca de tempo para o pai do rapaz.

O garoto, agora já um homem, implora para que pai o dê essa chance. Ele aprova, porém somente em memória de sua esposa, agora morta.

Com muitos esforços, Eduardo consegue ser aprovado no vestibular que tanto sonhava, e mesmo depois de ter tido que trabalhar em uma fábrica por seis anos, enfrentado a dureza do ensino público,  a perda de de sua mãe, ele conquista seu objetivo.

E Glauco, já é o suspeito principal de Eduardo, que um tempo depois acha um fio de blusa de lã, idêntico a do rapaz.

*

Para conseguir se manter na universidade, Eduardo faz inúmeras atividades. Cursa para ser detetive da polícia, e, é ajudado por alguns colegas.

Após entrar em confronto com o suposto assassino de sua mãe, Eduardo começa a ser perseguido. Alguém mal intencionado, mascarado, parece sempre estar te observando, e quando percebe, foge, não dando tempo de reação ao futuro médico.

*

Tudo caminha bem, Eduardo especializa-se em cirurgião, e seu toque é tão preciso e suas mãos são tão firmes, que logo é apelidado de “Bisturi de Ouro”.

Glauco comete mais um assassinato, agora contra uma senhora inocente que salvara, – trabalhava de piloto de helicóptero.

Helena volta para Monte Belo, e Eduardo vê-se obrigado a terminar com sua namorada, Cristina. Ele costumava dar chances a si mesmo conhecendo novas mulheres, porém nunca se via feliz e por completo em seus relacionamentos. Não seria justo terminar do nada com Cristina, e ele decide que prosseguirá com seu namoro atual.

Eduardo ainda não se sente seguro, alguém ainda o amedronta.

*

Helena está para Eduardo, assim como ele para a moça. O amor fala mais forte, e eles reatam. E marcam o casamento um tempo depois.

Glauco aparece na última fileira da igreja, no dia mais feliz da vida do casal. Mas a esse ponto, a polícia já encontrara relação entre a morte de Catarina, e da outra pobre senhora, com a inusitada abertura da empresa de helicópteros do homem.

Mesmo tendo conseguido construir uma família, Glauco começa a ser assombrado por seus próprios crimes.

A seguir contém spoiler.

Após um grave acidente, Glauco pede sua esposa, e é encaminhado para o hospital onde o “amigo trabalha”. Eduardo não deixa que a mágoa confronte seu ambiente de trabalho, e opera o rapaz com toda ética.

Logo depois, tendo sido preso por seus homicídios, o sujo Glauco tinha como comparsa Cristina, – o que fora surpresa para Edu. Pois a garota nunca havia apresentado sinal de tal frieza.

O assassino da mãe do rapaz, pede para que ele vá a cadeia para uma conversa. Chegando lá ele pede, implora para que Eduardo cuide de sua filha. Pois, sabia que todos os bons valores e princípios seriam lhes passado.

Helena e Eduardo, pensam… Pensam muito. E aceitam o pedido, após a esposa do rapaz ter visto alguns crianças de rua tão descuidadas a caminho de sua casa.

*

Passam-se dezoito anos, e Maria Elvira, filha de Glauco, agora apaixonada pelos novos pais, é doutora, assim como os dois irmãos de Eduardo, que abriu uma clínica em sua cidade natal, e contratara sua família para auxilia-lo.

Em uma enrascada, após ter recebido uma carta anônima dizendo que sua filha estava em perigo, Eduardo é confrontado por Glauco, que porta uma arma de fogo, assim como Edu, que conseguira álibi para tal, para sua própria proteção.

Ele está para atirar no antigo “amigo”, mesmo depois de tudo que fizera. Porém, Maria Elvira pula em sua frente, levando o tiro por seu amado pai. Ela havia achado a carta na mesa de Edu, e fora imediatamente para o local marcado.

Glauco suplica, e esperneia para a filha o por quê dela ter feito isso… Mas o amor que constrói uma família é muito maior do simples genis em um DNA.

*

Glauco volta para a cadeia, e o casal Helena e Eduardo, agora com mais quatro filhos, estão muito feliz. Pois, apesar da vida sofrida, eles nunca deixaram de ser eles mesmos.

*

O livro aborda uma história impactante, porém com muitos pontos fracos no enredo. Fazendo com que a personagem principal seja muito idealizada e surrealista. Porém, é cheio de valores e momentos emocionantes.

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