Resenha: O Anticristo

Título: O Anticristo
Original: Der Antichrist
Autor: Friedrich Nietzsche
Gênero: Filosofia
Literatura: Alemã
Ano: 2001
Páginas: 96
Editora: Centauro
ISBN: 978.85.88208.06-3
Avaliação CL: ⭐️⭐️

Esse foi um daqueles livros que se escolhe por curiosidade ou para saber a opinião do autor sobre determinado assunto. Apesar de ser religiosa e acreditar sim em Deus, resolvi encarar essa leitura inusitada.

Já deixo o alerta de que esse livro exige muito do seu tempo, apesar das poucas páginas, Nitzsche escreve como se você fosse um companheiro dele de classe, que sabe tudo. O que não é bem assim.

Essa edição da Centauro é ideal para os leigos no assunto, assim como eu, pois possui um rodapé que auxilia a compreensão do texto. Confesso que mesmo assim, a leitura é difícil. Te conto o por quê nos próximos comentários, que não chegam nem a ser uma resenha.

Resenha: O livro é narrado por um narrador em primeira pessoa, e revelado ser a própria voz de Nitzsche, que confessa ser “O Anticristo”.

O tema central é a religião, mais especificamente o Cristianismo.

Nitzsche já anuncia na introdução que “está é uma declaração de guerra ao cristianismo”. E é o que ele faz, busca eventos passados e até mesmo citações da bíblia, para dizer que Cristo é a maior mentira já inventada na história do mundo. Chega a citar que é uma tremenda decadência o ser humano acreditar em algo que foi empregado desde os tempos antigos para acreditarmos ser real.

Nitzsche escreve como se quem está lendo, é PHD no assunto, alguém já anticristão com muitos anos de estudos, pois seus argumentos não são explicados detalhadamente, e ele leva o leitor a crer que ele está certo. O que não me convenceu…

Outra coisa que me irritou, foi o excesso de aspas. Ele usa aspas praticamente em tudo: para ironizar algumas palavras sagradas da pregação cristã, para citações, e, para afirmar algo que ele supostamente estaria correto.


Nesse trecho II, o autor afirma que o Cristianismo é para os fracos e fracassados. E ele também faz uma ironia aos pecados, procedentes da “fraqueza carnal”.


Nessa página, Nitzsche afirma que Cristo é o culto ao Niilismo (culto ao nada). E diz qua os teólogos favorecem algumas palavras para seu uso benéfico e outras para maldizer aquilo que para a igreja, é pecado.


Acredito ser um dos trechos mais fortes do livro. Nitzsche ironiza e usa suas aspas para dizer que a religião citada é algo imaginário, sem um pé na realidade.

Enfim, toda a escrita segue por argumentos, a maioria com referência à nomes primatas.

No dia em que finalizou o livro, Nitzsche também escreveu a “Lei contra o Cristianismo”, que conta com sete artigos que defendem a afirmação da não existência de Deus.

Ao finalizar a leitura, senti que este não foi um livro escrito para os curiosos, como foi meu caso. Senti que faltou uma justificativa aos argumentos contra, (ou eles estão implícitos e somente os sábios o entenderam).

Não me convenceu como leiga no assunto e uma religiosa.

Opinião: Todo mundo na vida pode ser o que achar que deve ser, seja cristão ou ateu. Mas, ao ter um pouco de conhecimento nos escritos da bíblia e ter analisado alguns fatos da vida, chego à conclusão de que não é possível viver em sociedade e saudavelmente respeitando a naturalidade em que tudo acontece, sendo 100% um, ou outro. É como as escolas literárias, iniciadas no Trovadorismo, onde ora pendem para o teocentrismo, ora para o antropocentrismo. Como em um pêndulo.

Tudo tem seu balanço e equilíbrio, e a vida é isso: cada um tem sua fé no que acredita ser bom, pois é o que fortalece a alma humana, mas também não é ser um “super-religioso”, a ponto de se privar de viver, devido a religião.

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