Resenha: Notas de um Velho Safado

Título: Notas de um Velho Safado
Original: Notes of a Dirty Old Man
Autor: Charles Bukowski
Gênero: Ficção
Literatura: Americana
Ano: 2016
Páginas: 272
Editora: L&PM
ISBN: 978.852.540.997-3
Avaliação CL: ⭐️⭐️

Quando você acha que gosta do autor, quer ler tudo que ele escreveu, não é? Comigo não é diferente…

Adoradora das poesias, romances e frases de Bukowski, mas este livro, ele não me desceu a garganta!

“contudo, velho como sou, estou particularmente satisfeito nesta época determinada. O HOMEM PEQUENO SIMPLESMENTE FICOU CANSADO DE ACEITAR TANTA MERDA.”

Convenhamos que a vida do velho safado – como ele se autodenominava – não era lá das mais calmas e santas. Um poeta nato e com talento inigualável, sem dúvidas. Mas o que acontece quando seus dias refletem diretamente em um livro? Frustram ou decepcionam o leitor – para os mais inquietos à escrita agressiva – , o que foi o meu caso.

Para esse livro de notas, já somos alertados na contracapa:

“Alguns leitores, e sobretudo a crítica, captam por vezes somente o aspecto sensacional e ‘obsceno’ de Bukowski, porém, debaixo de suas máscaras, segue desnudando-se sua mais desconcertante intimidade – na desolação e no medo, no horror e no pânico e num cinismo autodefensivo, recupera sua humanidade, seu egoísmo, seu senso de ridículo e sua irreverente compaixão. Notas de um velho safado forma um conjunto de histórias excepcionais saídas de uma vida violenta e depravada, horrível e santa. Não podemos lê-lo e seguir sendo os mesmos.”

Com textos fictícios ou não, de fato não consegui gostar, por mais que tentasse compreender algo além da obscenidade dessa coletânea, era em vão.

Bukowski retrata sua vida de escritor e amante do álcool como realmente foi: muitos jogos, apostas, brigas e confusões, é claro, com muitas mulheres!

Este último ponto é relatado como um mero pedaço de carne, fria e grotescamente, descreve-as apenas como objetos de satisfações na cama, chegando a compará-las como “cachorrinhos de estimação”.

Não preciso dizer mais nada, não é?!

O leitor ao se deparar com trechos como este, passa a se arrastar na leitura, pois não há fatos relevantes para o leitor – claro que tem aquela de “contexto histórico”, mas nada além disso -. Demorei mais tempo do que deveria, simplesmente por não conseguir ler essas páginas tão repugnantes. Finalizei-o por pura obrigação. Lamentável.

Ah, outra coisa incrivelmente irritante é a diagramação do livro: diálogos entre aspas, a falta de maiúsculas e o excesso de pontos finais.

Não queria, mas desse emaranhando de notas a maioria não tem catarse alguma. Servirão somente para confirmar a boa e velha fama do nosso ídolo – também tive conflitos internos por admirar alguém que desprezou tanto uma classe a que pertenço, mas aí é que entra o discernimento literário, saber separar os frutos bons e ruins de tudo que lê-se.

“nove décimos de mim já morreram, mas eu guardo o décimo restante como uma arma, posso andar na rua e eles não têm como diferenciar-me de um vendedor de jornais, apesar  dos vendedores de jornais possuírem caras mais bonitas que qualquer presidente dos estados unidos, mas também isso não é nenhum problema.”

Bukowski meu amor, sabia da sua fama, legado e maestria ao poetizar uma obra, mas este livro não passa de um rascunho da sua vida suja.

*Para os mal interpretadores fica a dica: amo o Bukowski como poeta, como pessoa já não sei.

“”cara, cara, esse mundo é muito engraçado”, disse ele. “nós temos de tudo mas não temos nada.””

Comentários

Comentários