Resenha: Moby Dick

Título: Moby Dick
Original: Moby Dick or the Whale
Autor: Herman Melville
Gênero: Romance / Épico / Clássico
Literatura: Americana
Ano: 2004
Páginas: 583
Editora: Martin Claret
ISBN: 857.232.293-0
Avaliação CL: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️+❤️

Não há adjetivos suficientes para descrever o quão boa e relevante é a obra de Herman Melville. Realmente uma aula de história e de lições para a vida: um clássico!

Para aqueles que não o conhecem, este é aquele livro sobre a grande baleia e um navio a atacá-la, porém garanto-lhes que é muito mais que essa primícia.

Publicado em 1851, o livro de Melville tornou-se uma das maiores obras da literatura universal. E não é para menos, sob uma simplicidade, a narrativa esconde-se atrás de metáforas da natureza e da vida humana.

Sútil e ao menos tempo agressiva em seus enfoques, detalhista em todos os princípios, que descreve desde a língua da baleia, até mesmo o aposento que o protagonista dorme. Para alguns leitores desavisados, esta pode ser uma leitura massante e arrastada, mas acredite, se você se concentrar, não vai se arrepender de tê-la começado, pois o livro recompensa-te em todos os sentidos.

A história é narrada por Ismael, que ao chegar na cidade de Nantucket, sonha em viajar como baleeiro em grandes viagens. Em sua primeira estadia, divide um quarto e cama também, com um arpoeiro profissional, o selvagem Quiqueb.

Ismael de início tem medo do homem tatuado que mal fala sua língua, mas aos poucos, os dois criam um elo de verdadeira amizade.

“Ignoro a razão, mas não há lugar como uma cama para relações confidenciais entre amigos. Marido e mulher, dizem, descobrem mutuamente o próprio fundo da alma; e alguns casais já velhos já ficam deitados a conversar sobre velhos tempos até o dia raiar. Assim, na lua-de-mel de nosso coração, jazíamos Quiqueb e eu – uma dupla aconchegada e afetuosa.”

Quiqueb é um personagem de grande relevância no livro. Simboliza o homem que não fora corrompido. Com convenções do romantismo, a exaltação do indígena, ele retrata o que de mais puro há no ser humano, aquele das primitivas culturas.

*

A todo custo Ismael deseja ingressar em um navio para expedições, mesmo não tendo experiência. O navio Pequod o aceita, com real interesse na habilidade do amigo, e não nele.

Acab é o comandante da tripulação, e que em uma de suas tentativas de caçar a baleia, – não uma qualquer, mas sim Moby Dick, acabara perdendo sua perna. Sob o auxílio de Starbuck e Stubb, – estes não possuem muito destaque na narrativa, viajam mar a dentro.

O Pequod ficaria por longos quatro anos no mar. Simplesmente pela ânsia e desejo de vingança de seu comandante em matar Moby Dick.

Moby Dick não é uma baleia qualquer, é descrita com muita maestria. É um cachalote, – uma espécie de baleia maior, e possui a cabeça branca, inconfundível. É ferozmente a criatura mais temida pelos mares, exceto por seu vingador.

O livro não descreve ao certo o por quê da caçada de baleias, e não de peixes, por exemplo. Seria essa uma tradição?

O fato é alguns leitores repudiam o autor e suas linhas que relatam os sofrimentos das baleias após e durante a caçada. Realmente são trechos fortes, mas para isso justifica-se com um trecho do próprio Melville:

“Sem dúvida o homem que matou pela primeira vez um boi foi considerado um assassino; pode ser que tenha até mesmo sido enforcado; caso tivesse sido julgado por bois, com certeza teria recebido essa condenação até certo ponto merecida, se qualquer assassino a merece. Vá ao mercado de carne em um sábado à noite e observe as chusmas de bípedes vivos observando as longas fileiras de quadrúpedes mortos. Um espetáculo desse não desperta o canibal? Canibal? Mas quem não é canibal? Posso afirmar que no Dia do Juízo Final será mais facilmente perdoado o fijiano que salgou um missionário magro na despensa, a fim de prevenir-se contra fome, do que para ti, meu civilizado e esclarecido guloso, que prendes os gansos ao chão e regalas-te com seus fígados inchados em teu patê de foie gras.”

*

A caçada ao cachalote branco é incessante. Acab é relutante, e mesmo sabendo dos perigos, quer enfrentá-lo.

Durante três dias seguidos, o Pequod o persegue. Mas Moby Dick é a força em si, e em meio a um mar de sangue, machucado, é invencível.

– A seguir contém spoiler e opinião.

A enorme baleia destrói o barco… Acab e seus tripulantes são jogados às águas, – subentende-se que morrem. Mas Ismael é o único sobrevivente resgatado pelo navio Raquel, para lhes contar essa história!

*

Um livro eletrizante e angustiante. Acab não desistiu nunca, mesmo sabendo dos perigos, foi a luta.

Há três teorias e grandes metáforas nítidas que Melville quis passar: Moby Dick era um símbolo, de que tudo que o homem acredita por possuir sabedoria, por vezes é ilusório, pois os caprichos da natureza são inesperados; também significa a raça e perseverança que o homem precisa ter para viver; e por fim, os Estados Unidos mostrando sua força, como o grande gigante que sempre foi desde a colonização.

“Ah, quem me dera eu pudesse continuar ali a esmagar aqueles torrões de espermacete para sempre! Pois somente agora, após muitas experiências prolongadas e semelhantes, compreendo que em todos os casos o homem deve afinal reduzir ou pelo menos mudar seu conceito de felicidade possível, não a pondo em nenhuma parte do intelecto ou da fantasia, mas na esposa, no coração, no leito, na mesa, na sela, na lareira, no campo; agora que compreendi tudo isso, estou pronto a esmagar torrões de espermacete pela eternidade. Nos pensamentos das visões noturnas vi longas filas de anjos no paraíso, cada qual com um jarro de espermacete nas mãos.”

Sem mais. ❤️

Comentários

Comentários