Resenha: Larva

Título: Larva
Autor: Verena Cavalcante
Gênero: Contos
Literatura: Brasileira
Ano: 2015
Páginas: 94
Editora: Oito e Meio
ISBN: 978.855.547.009-7
Avaliação CL: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️+❤️

Ao lermos a sinopse, comentários e descrições nas orelhas do livro, já temos um leve resquício do que esperar. Mas o surpreendente, é que supera as expectativas, pois como citado lá mesmo, Verena realmente criou um estilo nunca antes visto, sem exageros.

Possuindo oito contos, todos eles narrados por crianças, com histórias de horror, terror e muita aflição, Larva deixa o leitor à agonizar, e ironicamente também, à amar a escrita da autora.

Os textos são muito bem elaborados. Após ler o primeiro, o leitor pode até pensar que não passa de mais um conto comum do interior, – Verena fez questão de manter as palavras assim como os personagens falam em suas regiões, mas não é isso que acontece, as histórias te prendem, e são totalmente nostálgicas.

Já disse o quanto amei esse livro? Não consigo me conter… Às vezes após terminar um conto, precisava de uma pausa para respirar e digerir o que houve. E mesmo com muita coisa que me causou repulsa e assombro, continuei persistente lendo cada página. Essa é definitivamente a característica de um bom livro!

Não sei se foi intencional, mas me senti por volta dos anos 1995-2000, ou até mesmo muito antes, onde as crianças brincavam na rua, as mães eram por vezes preconceituosas, e os pais severos quanto à educação dos filhos.

Os contos são nomeados de: Macaúba, que conta a história de um menino do interior que adorava comer frutas direto do pé; Tijolo que é narrado por um menino que acaba decepcionando seu pai por um ato que ele acha repugnante; Marimbondo narrado por uma menina prestes a entrar de férias escolares, que é afetada por um inseto, ou algo além disso; Rato com a personagem principal morador de uma favela, e que, ao longo de sua vivência sabe exatamente o que cada pessoa tem como destino; Larva narrado por uma garota que tem como melhor amigo seu tio, tachado como “retardado” por seus colegas; Berço que conta a vida de uma menina rotulada como feia e infeliz na vida, desde que nascera; e Aranha, com uma menininha que não sabe ao certo o que está havendo com seu avô, até que algo lhe toca.

Não posso descrever detalhadamente tudo sobre as histórias, afinal, são contos, leituras breves, e se o fizesse, acabaria com todo o encanto.

É possível sentir-se dentro de uma mente infantil, e recordar exatamente como pensávamos na mesma época que os próprios narradores estão. É com certeza um livro que te fará perder a respiração, mas que posteriormente colocará um sorriso bobo no lugar.

 

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