Resenha: Extraordinário

Título: Extraordinário
Original: Wonder
Autor: R. J. Palacio
Gênero: Ficção
Literatura: Americana
Ano: 2013
Páginas: 318
Editora: Intrínseca
ISBN: 978.858.057.301-5
Avaliação CL: ⭐️⭐️⭐️

Esse é um daqueles livros que todos se derretem e dizem ser incrível. Fato que a maioria dos best-sellers fazem: enlouquecem os leitores com histórias cativantes.

A partir disso, resolvi também lê-lo e saber o por quê de todos gostaram tanto desse título. Não encontrei a resposta, pois o livro não me satisfez como para a maioria de seus leitores.

Por quê será? Não sou crítica literária, nem nada. Apenas uma leitora expondo sua visão. E todos possuem o direito de amar a obra, embora também tenho, o direito de não me encantar a ponto de dar cinco estrelas.

Na resenha a seguir conto os pontos marcantes (cativantes) e pontos sem muito contexto na história.

Resenha: O livro é dividido em oito partes, na maioria narrados por August Pullman, o protagonista, mas também por seus amigos e irmã, que expõem seu ponto de vista em relação ao garoto.

Os capítulos possuem títulos previsíveis e comuns, por exemplo “casa”, “fotos da escola”, “adeus”, “polo norte” e etc. Particularmente não gosto de títulos assim, mas por serem pequenos, a leitura não é afetada, é somente desvendado um pouco do que podemos esperar.

Nos primeiros capítulos, Auggie, como é carinhosamente apelidado pela família, descreve como nasceu, cresceu e vive sua vida.

O garoto possui nove anos, e nunca frequentou uma escola. Teve aulas particulares com a mãe, em casa. Por medo que o filho pudesse sofrer, poupou-o de conhecer novas crianças.

Auggie, segundo o livro, possui uma doença chamada “disostose bucomaxilofacial previamente desconhecida causada pela mutação de um autossomo recessivo no gene TCOFI, localizado no cromossomo 5, complicada por uma microssomia hemifacial caracterizada do espectro óculo-aurículo-vertebral”. Ele possui deformações no rosto inteiro, e já passou por inúmeras cirurgias, também este foi o motivo pela mãe nunca tê-lo deixado ir à escola. August sempre estava em recuperação pós-operatório.

Os pais de Auggie acreditam que o garoto não é uma criança normal, muito menos diferente, mas sim Extraordinário, uma benção que veio para alegrar a família.

Após Auggie se descrever, nos capítulos seguintes ele fala sobre como se sente em relação aos pais agora, quererem que ele vá a escola. É uma sensação estranha, e o garoto não tem medo da estranheza que possam ter para com ele, por que ele já está acostumado a dar de ombros, fingir não perceber que todos o encaram, e, logo em seguida desviam o olhar.

August conhece a escola onde irá estudar antes de as aulas começarem. O diretor apresenta algumas futuros colegas dele (colegas esses que a pedido do diretor, devem ser amigos de Auggie nos primeiros dias de aula, até que ele se adapte), e também apresentam-lhe o prédio estudantil.

Os pais de Auggie estão decididos que o melhor para o filho, é frequentar uma escola, pois a mãe não é apta para lhe ensinar exatamente tudo. Dizem ao menino que ele tem a opção de desistir, mas somente depois de passar pela experiência por alguns dias.

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O garoto tenta discutir com os pais de que não irá a lugar nenhum, mas eles estão determinados, e Auggie terá que ao menos, dizer após frequentar algumas aulas, o por quê de não gostar da escola. Eles fecham o trato, e o garoto sente-se obrigado, e já prevê o que aconterá: crianças gritando com medo, ele sendo ignorado e todos fingindo que ele não existe, apesar do fato de todos o olharem e ele fingir não perceber.

(…)

Quando criança, August usava um capacete de astronauta. Dado por uma amiga de Olivia, sua irmã, Miranda, que posteriormente torna-se amiga da família também.

Com o capacete ele se sentia como qualquer outra criança brincando no parquinho próximo a casa. Ou correndo com os coleguinhas atrás de uma bola. Estava protegido de qualquer julgamento! Mas ele foi crescendo, e o pai sem que o garoto soubesse, some com o capacete. Auggie e a família ficam desesperados… Mas o pai mantém o segredo, que só é revelado ao garoto mais tarde. O pai acredita que independente das circunstâncias, Auggie tinha que ser ele mesmo, e encarar os fatos, e mostrar ao mundo o verdadeiro eu dele.

(…)

Na escola, os garotos Jack Will, Julian e Charlotte, fingem ser amigos de Auggie somente quando todos não estão olhando. Auggie não sabia que o diretor tinha proposto essa “falsa amizade”. E quando descobre, fica arrasado, apesar de ter desconfiado desde o princípio.

Jack Will gostava realmente de ser amigo dele, mas com medo do que os outros pudessem falar dele, fala diversos absurdos sobre Auggie, que acaba ouvindo.

O garoto tem a tarefa, de reconquistar o amigo, e tentar explicar o que passou em sua mente. Auggie é um garoto de perfeito coração, e o perdoa.

Além de Jack Will, aliás, antes mesmo dele ser amigo de August, Summer, senta-se pela primeira para lanchar com ele. E assim são os próximos dias do ano. A garota parece nem ligar para o que os outros pensam, diz realmente achar Auggie engraçado e um bom amigo.

(…)

Olivia, ou Via, como a família a chamava, descreve em um capítulo como é ter um irmão com deformidades. Ela entende o fato de os pais terem sempre que estar perto dele, e somente dele, devido às inúmeras complicações que o irmão já passara, mas admite ter sido forçada, desde criança a ser independente, enquanto todos estavam olhando e cuidado para que Auggie mantêm-se bem.

Via não tem ciúmes, mas revela que sua vida também foi difícil, por não ter os pais por perto quando ela mais precisava.

(…)

Ao longo da narrativa, podemos ver como são as crianças… Coração bom, puro e que perdoa facilmente. Aos poucos os alunos da escola veem que Auggie é como eles: fala, come e brinca. Após a estranheza e o “toque do queijo” provocado por Julian, o único garoto que não respeita o protagonista, as crianças se aproximam e conhecem o verdadeiro Auggie.

(…)

Alguns capítulos parecem desconexos. Como o de Justin, namorado de Via, o de Miranda, amiga da família, e alguns do próprio August. Parecem não pertencer a história, apesar de coligaram a história.

Apesar desses pontos que enfraquecem a obra, Extraordinário é uma história de superação, e também deixa a moral de que não deve-se julgar alguém pela aparência, pois é como citado no livro “O Pequeno Príncipe”: “o essencial é invisível ao olhos”.

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