Resenha: Desventuras em Série #1 – Mau Começo

Título: Desventuras em Série #1 – Mau Começo
Original: The Bad Beginning
Autor: Lemony Snicket
Gênero: Ficção
Literatura: Americana
Ano: 2001
Páginas: 152
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 978.853.590.094-1
Avaliação CL: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

O livro de Lemony Snicket tornou-se uma febre no mundo todo. Logo após o filme, em 2004, e agora, com o lançamento da série no Netflix.

E não é para menos, o primeiro livro de treze, é aquele tipo de livro em que você não lê, mas sim, devora de tão envolvente.

O texto é narrado em terceira pessoa, pelo autor-narrador, que tudo sabe, tudo vê, além de opinar, sem esperanças a todo tempo:

Se vocês se interessam por histórias com final feliz, é melhor ler algum outro livro.

Além de interagir com o leitor, o narrador dá diversas pistas do que está por vir, – o que pode parecer chato, seguindo o exemplo de alguns livros, porém não é -, pois Snicket possui um jeito único de dialogar e apresentar seu ponto de vista, sem desvendar a história.

Em todos Desventuras em Série, ele retrata a vida dos três irmãos Baudelaire, Violet, a irmã mais velha e toda intelectual e para o lado de invenções, Klaus, o irmão do meio, que adora ler os mais diversos temas, e, a irmã mais nova, Sunny, ainda bebê, que mal da alguns passos e balbuciava algumas palavras, – seu forte mesmo é morder.

Em um dia, como em outro qualquer, os pais autorizam que as crianças vão até a Praia de Sal, de trem, num dia nublado, em que eles sabiam que teriam poucas pessoas, para aproveitarem mais. Mal haviam chegado, quando avistam uma sombra ao longe, em meio a paisagem vazia. As crianças ficam com medo, mas quando a pessoa se aproxima, lembram-se de já tê-la visto em algum lugar.

A sombra era o sr. Poe. Eles o reconheceram de alguns dos jantares na casa dos Baudelaire. Ambos se perguntavam o que aquele homem estaria fazendo ali, pois estava com trajes formais.

Ele era um funcionário do banco. Respondendo aos questionamentos internos das crianças, ele então lhes diz que não viera trazer boas notícias… Os pais deles haviam morrido em um incêndio na linda e enorme casa da família. A princípio não parecem acreditar, mas após o senhor dar alguns detalhes da tragédia, eles se chocam com a informação, e desabam.

O sr. Poe os leva para a sua casa, onde moram a sua esposa, e os dois filhos. As crianças morariam com ele, até encontrar alguém com algum parentesco que more pela região, para lhes dar a guarda dos jovens órfãos, – segundo o que estava declarado no testamento.

Passado alguns dias, o sr. Poe diz ter encontrado um primo distante do sr. Baudelaire, o conde Olaf. As crianças nunca ouviram falar dele, protestam, mas logo caem em si, pois morar com outra pessoa seria melhor do dividir o quarto minúsculo com os filhos Poe.

*

É chegado o dia de mudarem para a casa do conde Olaf, – mudança essa que só resultaria em algumas peças peculiares que a sra. Poe comprara, e a própria roupa do corpo de cada um.

Avistam uma casa linda, com um belo jardim e uma senhora a lhes esperar. As crianças logo pensam que ficariam muito bem. Mas após apresentações, descobrem que a moça não passava de uma vizinha de Olaf, e não era o que esperavam que ela seria, a esposa dele.

Olham a casa do lado: caindo aos pedaços, sombria e sem nenhuma janela aperta. Era isso que os esperava.

O conde Olaf é um homem magrelo, com ossos saltados, com uma sobrancelha “duas-em-uma”, com uma tatuagem de dois olhos mais a sobrancelha já dita, no área do tornozelo.

Ao longo dos dias ele deixa um lista de tarefas para que os Baudelaire cumpram, e os miseráveis são obrigados a dormir em um quarto velho, – assim como o restante da casa -, e dividirem uma única cama crua.

Ao longo da narrativa eles tentam de tudo bolar algum plano para se verem livres do maquiavélico Olaf, até procuram o sr. Poe, mas que nada faz, pois a custódia total das crianças é integra do conde.

O conde Olaf não possui outro interesse a não ser o de arrancar a fortuna obtida na herança das crianças. Somente após a maioridade de Violet, que o dinheiro poderia ser movimentado.


Entre os sufocos que passam, acabam tornando-se amigos da vizinha, a sra. Strauss, uma juíza que possuía uma enorme biblioteca, com inúmeros títulos. Klauss como adorava ler e Violet que tinha aptidão para invenções, juntos decidem que vão encontrar alguma coisa que o ajudem a se livrar do maldoso conde Olaf.

Em contra partida, Olaf diz ter deixado uma má impressão às crianças, e deseja se redimir obrigando-os a participar de sua peça: “O Casamento Maravilhoso”.

Klauss passa a noite em claro, lendo a luz da lua, um livro sobre custódia. Descobre que se uma pessoa disser “sim” perante um juiz, e assinar um documento, já seria o suficiente perante a lei para um casamento ser consumado. “Esse seria o plano de Olaf”, pensou, pois a própria juíza Strauss faria o papel de uma juíza. Após o casamento, o marido da noiva pode mexer em seus bens, e mesmo ela sendo de menor, com a autorização de um responsável, – no caso o conde Olaf -, isso seria permitido. Ou seja, tudo estaria de mal a pior.

Na mesma manhã, Klauss revela para o conde Olaf que descobrira seu plano, e que não permitiria tal. Mas já era muito tarde, Sunny estava correndo perigo, presa a uma gaiola no alto da torre janela a fora.

Violet seria obrigada a aceitar o pedido de casamento, mesmo que em cima do palco, fictício, – não tanto assim -, para que a irmã sobrevivesse.

A seguir contém spoiler.

O casamento é quase que consumado, mas Violet é mais esperta é assina o documento com a mão esquerda, o que para a lei não é válido, pois ele é destra. Olaf foge, e as crianças voltam para a casa do sr. Poe, na esperanças de que ele ache um bom tutor desta vez.

*

O autor-narrador ao longo de todo o texto, nos convida a fazer parte da história. Destinando as primeiras linhas do livro ao “Caro leitor”, e o fechando com “caro editor”. Sutil, bem escrito e com críticas em suas entrelinhas.

É caso impossível não querer ler o volume dois, e descobrir o que mais o velho conde Olaf reserva para os infelizes irmãos Baudelaire.

Leia a resenha do livro #2.

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