Resenha: Caixa de Pássaros

Título: Caixa de Pássaros
Original: Bird Box
Autor: Josh Malerman
Gênero: Ficção
Literatura: Americana
Ano: 2014
Páginas: 272
Editora: Intrínseca
ISBN: 978.858.057.652-8
Avaliação CL: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

Já fazia tempo que eu queria ler esse livro, e impulsionada pelo clube do livro de fevereiro, acabei pulando a minha lista e o lendo. E que livro, não?!

“Caixa de Pássaros” é o livro de estreia de Josh Malerman, e apesar de o texto possuir algumas falhas – já as descreverei, ainda sim a história consegue eclodir e emanar por alguns vários dias na mente de quem o lê.

A história é um mistério total! Agonizante no começo e que a cada capítulo te deixa mais curioso.

Tudo começa com um surto ao redor do mundo, em alguns pontos isolados, onde pessoas após verem algo ainda não definido, passam a agir estranhamente e que, posteriormente se matam. Mas depois isso se alastra e chega até a personagem principal, Malorie.

Narrado em terceira pessoa, e com capítulos que se intercalam, não necessariamente em ordem, revelam a vida da garota em antes e depois da catástrofe.

Malorie é ainda uma jovem, parece não acreditar que realmente possa existir alguma coisa que modifique o racional dos humanos.

Uma jovem meio que insegura de si mesma, ela descobre que está grávida, e o pai da criança é alguém que ela não quer como parceiro, pois somente havia sido um relacionamento passageiro, ou nem mesmo chegado a esse status. Mas após perder sua irmã Shanon, que se suicida com uma tesoura encravada no peito, a garota passa a sentir medo do que talvez esteja do lado de fora atormentando a população.

Nos primeiros capítulos, a personagem Shanon é muito evidente, caricata. Representa uma parcela de pessoas que acreditam em tudo que os telejornais transmitem, ou no que em geral se falam, mesmo não sabendo se tais fatos são verídicos. Ela tem aquele Q de alienada. E isso é comprovando mais para frente…

*

Desesperada e sem contato com os pais há alguns dias – os telefones já não funcionam, Malorie sente-se perdida: acabara de descobrir que será mãe, perdera a irmã, e sente-se sufocada dentro de uma casa com todas as janelas cobertas com qualquer tecido, para que impem que algo de fora a afete.

Um tempo depois, ela vê em um anúncio de jornal, um lugar que não ficara muito longe de onde ela morava, um suposto “refúgio”. Decide dirigir até lá, talvez em contato com outras pessoas essa loucura se amenize, pensa.

Dirige alguns quilômetros com o para-brisa coberto com um lençol.
Ao encontrar a casa, ela rapidamente bate na porta. Não quer ficar sozinha nesse mundo do lado de fora. Os moradores da casa a revistam, todos de olhos fechados, e após um questionário, abrem os olhos. Percebem que a mulher está gravida, hesitam, mas deixam-na entrar.

O dono da casa e anunciante do jornal, George, já morrera. Em uma tentativa frustrada de assistir vídeos que mostravam o lado de fora, e como nos outros casos, inevitavelmente vira algo que o fizera perder a mente. Se matara também!

Malorie se apega muito a Tom. Ele é como se fosse o capitão da embarcação… Sempre muito otimista e com pensamentos fortes.

Malerman realmente tem o talento de conduzir e seduzir o leitor. Tornamo-nos seu aliado no desenrolar da história. É aterrorizador como ele descreve os personagens trancafiados, mal comendo e dormindo, tendo que se intercalar para quem vai do lado de fora, vendado, e quem fica na casa vigiando. Um tema que te deixa com mil e uma dúvidas, principalmente após a chegada de outro membro à casa, Gary. Um fatídico mentiroso, que diz ter fugido da casa em que morava por medo, pois um de seus colegas possuía pensamentos contrários quanto à existência dessa tal criatura, até escrevia suas ideias em um caderninho.

Após longos dias em que Tom e outro membro haviam saído do refúgio para procurarem cachorros e mantimentos, Malorie torna-se outra mulher. Agora possuí pulso firme, está confiante de que os amigos voltarão, – pelo menos tentar pensar dessa maneira.

Eles voltam para o lar com dois cães, e uma caixa de pássaros, – sim, o grande enigma dos pássaros. Relatam que os bichos fazem um barulho ensurdecedor ao sentirem a presença do quer que seja. Eles a usam como alarme na porta da casa.

*

Malorie não tem bons pressentimentos quanto a Gary. Decide mexer em suas coisas para verificar se pode ou não confiar no homem, pois Dom, outro membro, não muito sociável, já estava amiguíssimo dele, isso a assustava.

Ela acha o tal caderno de ideias maquiavélicas de Frank, da antiga casa. Entra em choque, nada mais faz sentido. Revela a descoberta aos demais, e Gary até tenta se explicar, sem chances. É banido da casa imediatamente.

“O mundo cinzento por trás da venda começa a rodar, como uma gosma espessa que se aproxima do ralo.”

Em contrapartida, no futuro da protagonista, vemos-la num rio, junto dos filhos. Denominados somente de Garoto e Menina, eles navegam vendados, elas são o guia da mãe. Ela havia treinado-as para isso, para que seus instintos pudessem alerta-la de uma folha caindo, uma gota de chuva e alguém se aproximando a metros de distância.

*

É chegando o dia do parto de Malorie, e coincidentemente Olympia, outra moradora grávida, também entrara em trabalho no mesmo dia que ela. Os amigos dividem-se para ajuda-las. Mas rapidamente são forçadas a fazerem tudo sozinhas, enquanto os demais discutem no andar de baixo.

Elas querem saber o que está havendo, mas há algo mais importante nesse momento: o nascimento de duas crianças.

O barulho é ensurdecedor, parece que há uma violenta briga. Então , são surpreendias por Gary, que ri e ironiza a situação.

A seguir contém spoiler. 

Ele passara todo o tempo em que fora expulso escondido no porão, como o auxílio de dom.

Gary havia retirado todos os panos que encobriam as janelas da casa. E, provavelmente, todos do andar de baixo haviam visto alguma das coisas, enlouquecido. Também deixa a luz entrar no apertado sótão onde as mulheres estão dando a luz.

Malorie é a mais forte, fecha os olhos, e já prepara-se para fechar os do filho assim que ele nascer. Olympia por sua vez, atenta-se no monstro em sua frente. Também enlouquece.

Malorie consegue com que ela dê a criança à ela. Logo depois ouve um barulho de janela quebrando: Olympia havia pulado e se enforcado com o próprio cordão umbilical, – URGH!

A partir desse momento começam as inúmeras dúvidas que rodeiam o leitor. Por que Gary não enlouquecera também?! Seria ele tão surtado a ponto de não ser afetado? A insanidade de quem se matava estava no próprio medo que elas sentiam de algo que diziam?

Sinto lhes dizer, mas o desfecho do livro não dá nenhuma pista do que realmente seriam as criaturas, e se é que elas realmente existiram.

*

Malorie então é obrigada  a viver sozinha com as duas crianças, o Garoto e a Menina. E após receber uma ligação, de um homem que recebera uma mensagem de Tom, – ele ligara para milhões de números aleatórios e da lista telefônica, na esperança de que alguém algum dia retornasse. Alguém retornara, um pouco tarde demais, os amigos se mataram.

O homem lhe dá instruções de como chegar até eles, em um novo “refúgio” onde vivem em comunidade. Malorie quer muito ir, mas percebe que não está preparada para enfrentar a vida lá fora. Pede para que a esperem.

Treina a si mesma e os meninos por oito anos! E só então partem, de barco e vendados, para esse novo lugar.

*

Há pontos desconexos na história… Malorie ao longo da viagem sente muito medo de Gary estar seguindo-a. E sua mente repete muitas vezes algumas frases. Subentende-se de que talvez ela não seja tão sã assim, ou, que já ficara com tanto medo, que tudo a retraí e a faz agir sem calmaria, como se algo já a tivesse afetado.

“O HOMEM É A CRIATURA QUE ELE TEME.”

Chega a um lugar, onde tudo são flores, e que de certa forma todos ali estão blindados de tal surto. Um final feliz? Parece que sim.

Ela dá-se pela primeira vez o luxo de escolher os nomes das crianças: Olympia e Tom, pensa.

Josh Malerman meu caro, que livro é esse? Quanta dúvida e reflexões esse livro me trouxe, mas que é recompensado por todos os capítulos iniciais, assustadores. Mas cá entre nós, a curiosidade foi maior que tudo para descobrir o realmente havia lá fora. Se seria algo concreto ou somente uma terrível ilusão.

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