Resenha: As Coisas que eu Aprendi Depois que eu Morri

Título: As Coisas que eu Aprendi Depois que eu Morri
Autor: Victoria Ribeiro
Gênero: Ficção
Literatura: Brasileira
Ano: 2016
Páginas: 243
Editora: Amazon
ISBN: –
Avaliação CL: ⭐️⭐️⭐️

Aquele tipo de livro que você já ama pela capa, e que se fosse um livro físico você teria o maior prazer de tê-lo na estante. É muito fofa essa capa minha gente!

E a autora Victoria não deixa a desejar na fofice ao introduzir o texto, que é total integrado com quem lê, você e eu, o “amigo imaginário”.

A história é cheia de críticas à sociedade do século XXI, porém no desenrolar do enrendo perde-se esse ponto alto, que tinha tudo para ser um ótimo livro abordando tal tema, tão intrigante. Também têm diversas referências literárias, musicais e que, descreve uma São Paulo muito diferente: devastada.

Ele traz uma temática pouco abordada no universo literário: o futuro da humanidade com uma possível Terceira Guerra Mundial.

Mariana é a personagem principal, uma garota que abandonou tudo no pós-Guerra à procura de Bernardo, seu namoro e a quem combinou, – caso algo muito drástico acontecesse, de se encontrarem na escola que ela estudara.

Os capítulos são intercalados entre o ponto de vista dela, e do garoto. O leitor faz parte da história, e é conduzido a cada trecho com novas descobertas.

Isso flui muito, intriga e convence quem está lendo, mas confesso que a narrativa contemporânea, com uso de gírias e uma escrita falada, me incomodou um pouco. Às vezes dava impressão de algo arrastado…

Mas nem só de crítica vive a resenha, não é?! Vamos a história.

“É assim que chamo o que estou vivendo, a época a partir da Terceira Guerra Mundial é a pós vida. Ei, corra mais rápido. É bom, não é? Você nessa década sedentária nunca percebeu o quanto é bom correr, o quanto é bom correr quando você não faz isso para entrar em forma. Quando você corre com um objetivo maior. Agora corremos pelas nossas vidas, e a sensação é liberdade.”

Mariana tem que enfrentar muitas dificuldades em sua procura por Bernardo, e em cada passo seu somos seu acompanhante. O mesmo acontece com o rapaz. Eles começam falando sobre a situação em que vivem atualmente, – mas sem muitos detalhes do que realmente é tudo isso, e com o passar dos capítulos contam do passado: como eram suas vidas, como se conheceram e etc.

Ela vivia com a tia, após a família ter descoberto em um jantar de natal que o próprio pai abusava-a. Mariana é uma garota forte, venceu seus medos e o bullying. Emagrecera e se tornara uma mulher linda, – fato este que a incomodava, pois as pessoas viam-na somente como um corpo, com exceção do rapaz.

Bernardo, praticamente não tinha pais, eles vivem em pé de guerra e só brigavam. Chegavam ao ponto de um trair um ao outro, somente por vingança. Fatos esses que fizeram com que ele se tornasse a única pessoa fraterna para o irmão.

“Eu não me identifico com nada, mas me identifico com os retalhos de todo o resto. Pedaços de coisas e pessoas que os outros não percebem. Estou bem. E quando não estou, vou ficar.”

O ponto central da história é quando Bernardo após se instalar na escola em que Mariana estudava, conhece um grupo de pessoas. Todas elas se chamavam por apelidos, não queriam o antigo nome, pois alegavam que isso remetia a um tempo que não existia mais.

Ele acaba ficando doente, o grupo cogitava que fora atingido por algum gás, – o livro não detalha o que e o por quê da Guerra, e dentre essas pessoas há um doutor, que passa a tratá-lo.

Vênus, Atchim, Amora, Doutor, apelidam Bernardo de Cheetos, – pelos inúmeros salgadinhos que ele carregava.

– A seguir contém spoiler.

Bernardo está delirando, está em Marte, rumo a morte. Encontra com pessoas que marcaram seu passado.

Vênus era Mariana, o Doutor seu próprio pai e Atchim sua imagem e semelhança. Os personagens eram somente fruto de sua imaginação desde o começo. E quando o garoto e reage, vê Mariana a sua frente.

*

“Você fala de um mundo com museus de arte, e música, e gostos ecléticos. Um mundo horrível, mas tão bonito que você nunca quer sair.”

O livro deixa a desejar pelo seu rápido desfecho com o casal se reencontrando, sem muitas explicações e que rapidamente parte para “um ano depois” onde tudo está bem.

É também uma grande metáfora do que realmente é estar vivo. Para Mariana morrer significava estar vivendo tudo aquilo…

Que final foi esse? As dúvidas tornam-se pequenas com relação ao sentimento de “esperava mais”, por que a obra inicia-se com grandes ápices de cartasse, realmente envolvendo o leitor, mas que o frusta com suas rápidas últimas linhas.

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