Resenha: A Revolução dos Bichos

Título: A Revolução dos Bichos
Original: Animal Farm
Autor: George Orwell
Gênero: Ficção / Utopia / Clássico
Literatura: Inglesa
Ano: 207
Páginas: 152
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 978.853.590.955-5
Avaliação CL: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️+❤️

Apesar de já ter estudo e muito sobre o autor George Orwell, este foi o primeiro de seus livros que li. Me pergunto o por quê de não tê-lo lido antes, que homem, que escrita! Quero ler tudo que ele escreveu.

Se eu tivesse que escolher meu gênero de livro favorito, acho que o pêndulo certamente tombaria para o lado clássico. Não é por que dizem que é um clássico e um livro que todos devem ler, mas sim, por que amo esse tipo de livro, não sei por quê.

E com “A Revolução dos Buchos” não foi diferente. Apesar de não conseguir ser influenciada pela opinião alheia, essa primícia que dizem do livro, sim, é tudo isso e mais um pouco. É aquele tipo de livro que você dorme e acorda, e, pensa: “Que livrão, meu Deus!

Uma escrita cheia de sátiras, quotes e atemporalidade, digno da denominação de um clássico.

Mas falando da história…

A trama central gira em torno da fazenda do sr. Jones, a Granja do Solar, e que em certo dia seus bichos literalmente se rebelam querendo revolução. Não mais querem ser comandados por humanos que somente lhes dão ração murcha e capim seco para comerem, enquanto os próprios animais fornecem o que de mais rico há na alimentação das pessoas.

Essa revolução tem início com o velho Major, um porco, que após ter um sonho um pouco conturbado, pretende dividir com seus companheiros. Ele diz que os animais merecem mais do que têm, que todos devem prosperar, inclusive os viventes daquela fazenda.

O homem é o nosso verdadeiro e único inimigo. Retire-se de cena o Homem, e a causa principal da fome e da sobrecarga de trabalho desaparecerá para sempre.

Após semear sua ideia, o Major falece. Mas os outros animais pretendem concretizar a tal revolução. Uns seguem somente o fluxo, incapazes de pensar, outros por sua vez, como os cavalos e porcos, parecem saber o que realmente estão fazendo.

Juntos eles expulsam o sr. Jones e possuem a granja, agora denominada por Granja dos Bichos. Sentem-se livres, galopam pelos campos alegremente.

A partir desse ponto, a história dos bichos começa a se assimilar com a dos homens. Pela liderança de Napoleão e Bola-de-neve, ambos porcos, eles criam os sete mandamentos para o boa convivência, e ordenam trabalho a cada um, para que não morram de fome.

“OS SETE MANDAMENTOS

Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.

Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.

Nenhum animal usará roupas.

Nenhum animal dormirá em cama.

Nenhum animal beberá álcool.

Nenhum animal matará outro animal.

Todos os animais são iguais.”

Napoleão e Bola-de-Neve nunca concordavam e chegam a uma só decisão. Tudo era feito por votação, pois apesar de estarem no comando, não obtinham um consenso juntos.

Então, acusado de traição, Bola-de-Neve é expulso da fazenda, e tudo que não dava certo, ou não fluía, Napoleão dizia ser coisa do antigo amigo, agora arque inimigo.

O autor não descreve detalhes do que houve, mas claramente percebemos que o atual comandante não tem lá uma boa índole. E este fato é comprovado com o fato de os animais agora terem que trabalhar mais e mais a todo custo, e Napoelão passar a morar na casa de Jones, com “privilégios”, e somente se pronunciar com os demais, por meio de seu porta voz Garganta.

Há um personagem que tem papel muito forte não só no livro, mas também que faz contra ponto com a nossa sociedade atual. Sansão, um cavalo bravo e que sempre quer dar o seu melhor e vive para o trabalho, é ferido e levado para um abatedor, pensando que está indo para um hospital. É nítida a crítica e comparação de Orwell à civilização humana. Quantos milhões não possuem o mesmo pensamento do pobre Sansão?

Com Napoleão no comando, todos os mandamentos passam a ser contorcidos. Animais começam a beber, andar e até mesmo a conviver com os homens. Ele também explora as galinhas e vacas para que produzam mais, e obviamente, ele lucre mais.

Essa é uma leitura que te deixa com um milhão de sentimentos, bons e ruins.

A seguir contém spoiler.

Os animais já não se lembram da essência da revolução, até remanescem em pensamentos contrários aos vividos na era Napoelão, mas este lhes diz que o jeito certo está em vigor, e a comunidade simplesmente acredita em sua camaradagem.

“Haviam nascido muitos animais, para os quais a Revolução não passava de uma obscura tradição transmitida verbalmente, e outros que nem sequer tinham ouvido falar coisa nenhuma a respeito.”

Homens e animais se confundem, já não se sabe qual é qual. A granja fora corrompida pelos hábitos “civis”, e passam a agir como tal.

“As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco.”

Um livro espetacular e de tirar o fôlego. Com uma temática que só comprova o que aqueles com pensamento crítico acreditam: o poder do ser humano, capaz de destruir e influenciar nesse mundo. E mais uma vez: QUE LIVRO!

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