Resenha: A Cabana

Título: A Cabana
Original: The Shack
Autor: William P. Young
Gênero: Ficção
Literatura: Americana
Ano: 2008
Páginas: 240
Editora: Arqueiro
ISBN: 978.859.929.636-3
Avaliação CL: ⭐️⭐️⭐️⭐️

“A fé não cresce na casa da incerteza.”

Um livro sobre fé, Deus, mas principalmente sobre o relacionamento entre o que o humano acredita ser o bem e o mal.

*

A história de Mackenzie Allen Philip é narrada pela perspectiva de um amigo, que após ouvi-la, transcreve-a para um livro.

As primeiras páginas não encantam muito o leitor, o modo como a história é apresentada me pareceu não convidativa, e do meio para frente parece um pouco repetitiva. Mas, uma história dessas merece ser lida, principalmente se você acredita ou não em Deus, pois ao longo dos capítulos você é introduzido ao maior sentimento, e por vezes, sente-se na pele do protagonista: recebendo um abraço Dele.

“O amor sempre deixa uma marca significativa.”

Após ter sido raptada em um acampamento, onde Mack dispersa-se por alguns minutos de Missy, a filha mais nova, para salvar os outros dois filhos que tombam de uma canoa e lutam para não se afogarem, a pequena garota simplesmente some.

Aquela era uma viagem em que a esposa de Mack, Nan, ficara em casa, e ele decidira pegar estrada somente com as crianças.

*

A única pista do sequestrador, – e também assassino, é um pequeno broche com números, deixado na mesa onde a garota fora vista pela última vez.

Esse era um sujeito que há tempos era perseguido pela polícia, e que possuía um histórico nada bom.

Por alguns dias as buscam são incessantes, e a filha mais velha do casal se culpa pelo sumiço da irmã, pois, se ela não tivera dado a ideia de subirem naquela canoa, não teriam caído e nada daquilo teria acontecido à família.

Encontram o vestidinho vermelho da caçula em uma cabana muito afastada da estrada. Ele está ensanguentado, e ali, as forças de Mack vão-se juntamente com a filha.

“Será que Deus escreve bilhetes?”

Passam-se quatro anos, e o pai vive em uma “Grande Tristeza”, – no qual ele mesmo denomina sua atual vida, e recebe um bilhete o convidando para voltar a tal cabana. Ele acredita ser alguma brincadeira de mal gosto, mas estranha ter sido assinado por “Papai“.

Nan costumava ter uma relação muito forte com Deus, e para facilitar a intimidade, o chamava de Papai. Quem mais poderia saber de algo tão particular da família? Ele suspeita ter sido escrito pelo próprio Deus.

Ele então decide não contar a família sobre o bilhete, nem ao menos que pretende retornar àquele lugar.

Com a caminhonete do amigo e também vizinho, -esse mesmo que conta sua história, somente com uma mochila e uma arma, também cedida pelo companheiro, Mack pega estrada.

Chegando na cabana, ele não encontra ninguém, tudo está em mais perfeito silêncio. E em meio a dor, ele se revolta e expõe suas tristezas entre o choro e a rebeldia, -destrói boa parte do que vê em sua frente.

Após deitar no chão e chorar tudo que precisava, sai da cabana e avista um homem novo e barbudo. Ele o chama pelo nome, -fato que Mack estranha, e o convida para conhecer onde mora.

“Papai” o recepciona, e na verdade é uma mulher, negra e gorda. E ele mesmo havia chamado Mack até ali, para um encontro.

“- Só pensei que teria uma aparência melhor.

– De acordo com que padrão? De qualquer modo, quando você me conhecer melhor, isso não vai importar.”

Deus, é uma personificação em mulher. E é a junção de mais duas pessoas: Jesus e Espírito Santo.

Mack é relutante quanto a sua perda, e questiona Papai em diversos momentos. Mas é sempre acalentado por mais que uma resposta, algo que o afeta diretamente no peito.

“Não preciso castigar as pessoas pelos pecados. O pecado é o próprio castigo, pois devora as pessoas por dentro. Meu objetivo não é castigar. Minha alegria é curar.”

Sua estadia dura um fim de semana inteiro. Reencontra o pai, -que batia e o maltratava na infância, e a própria filha brutalmente assassinada.

A princípio culpando Deus por tudo de ruim, Ele o responde dizendo que não vem para o mal, e sim para o bem, e mesmo não conseguindo impedir tudo de ruim no mundo, consegue fazer daquilo algo benéfico para aqueles que o amam verdadeiramente.

*

Uma história de sentimentos, relacionamento e amor incondicional. Mas a grande lição que pode-se tirar, é a de perdoar o próximo independente da circunstância, pois Deus não veio para tragédia, mas sim para felicidade.

“Simplesmente não procure regras e princípios. Procure o relacionamento: um modo de estar conosco.”

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